Segundo a Febraban, principal uso do consignado é para o pagamento de dívidas atrasadas

Recentemente, durante um debate sobre as regulamentações para os servidores públicos,
uma pesquisa reveladora foi apresentada, lançando luz sobre os hábitos de empréstimos
consignados no Brasil. A notícia surgiu em meio à discussão das novas regras que
permitirão uma margem mais ampla, atingindo 45% nas operações.

De acordo com dados fornecidos pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o
empréstimo consignado, uma modalidade de crédito que se destaca pela taxa média de
juros de 1,86%, é frequentemente utilizado para quitar dívidas atrasadas. Rafael Baldi,
diretor-adjunto de projetos da Febraban, compartilhou essas informações durante uma
audiência na Câmara dos Deputados, onde as regras do consignado para o funcionalismo
federal estavam em pauta. Os servidores públicos, aliás, são a principal clientela desse tipo
de crédito.

Surpreendentemente, a pesquisa revela que o uso do empréstimo consignado não se limita
apenas ao pagamento de dívidas pendentes. Despesas médicas e custos diários também
fazem parte do leque de utilização desses recursos. Baldi destaca que essa diversificação
de destinos para o crédito consignado indica que a modalidade está cumprindo seu
propósito original. Ele ressalta: “A gente vê que grande parte das pessoas utilizam o
consignado para pagar uma dívida mais cara. É importante ver que ele está contribuindo
para diminuir o endividamento das pessoas, das famílias.”

Embora o pagamento de dívidas seja o motivo mais citado, a pesquisa revela que algumas
pessoas optam por essa modalidade de crédito para financiar reformas, lidar com
imprevistos e adquirir bens duráveis. Para Baldi, esse tipo de contrato pode impulsionar a
economia local, especialmente quando empreendedores utilizam os recursos para investir
em seus negócios.

Servidores públicos são os maiores contratantes do Consignado

Os números do Banco Central indicam que o empréstimo consignado representa um terço
do saldo de crédito para pessoas físicas. Os maiores contratantes são os servidores
públicos (54,8%), seguidos pelos segurados do INSS (38,5%) e trabalhadores do setor
privado (6,7%). Além disso, houve um aumento significativo de 68% no montante liberado

para empréstimos consignados entre agosto de 2019 e agosto deste ano, atendendo
aproximadamente 44 milhões de pessoas.

A pesquisa surge em um momento crucial para os servidores públicos, pois o governo está
finalizando as definições sobre o Cartão de Benefícios. Embora as regras para o uso dessa
modalidade tenham sido divulgadas, a definição das taxas para as operações continua
pendente. Os servidores buscam limitar as taxas do consignado a 1,84% ao mês, alinhadas
com aquelas cobradas pelos bancos para aposentados e pensionistas do INSS. Contudo, a
regulamentação estabelece uma margem de 35%, com 5% destinados ao Cartão de Crédito
e 5% para despesas com o Cartão de Benefícios.

Em um cenário econômico complexo, o empréstimo consignado emerge como uma
ferramenta versátil, não apenas aliviando o peso das dívidas, mas também impulsionando
investimentos e gastos diversos. Enquanto as regras continuam sendo debatidas, os
consumidores se beneficiam dessa modalidade de crédito, que se mostra vital para diversos
aspectos financeiros e pessoais.

Como o empréstimo consignado é usado?

Pagar dívidas atrasadas, 31%;
Despesas médicas, 28%;
Contas do dia a dia, 27%;
Comprar alimentos, 24%;
Reformas, obras ou construções, 18%;
Imprevistos ou emergências, 17%;
Pagar outras linhas de crédito, 10%;
Despesas com educação, 7%;
Comprar itens duráveis, 6%, e
Despesas com veículos, 6%

*O total ultrapassa 100% porque é admitida mais de uma resposta.

Fonte: Jota
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